Nossa história
Uma casa que continua habitada por suas histórias, onde a arquitetura, as cores, o jardim e o silêncio guardam a presença de tudo o que ali foi vivido.
A pousada convida os hóspedes a experimentar o raro: sentir-se parte de uma memória que segue florescendo.
Quando Dilson e Nelly chegaram ali, aquele pedaço de terra parecia distante de tudo. O terreno pertencia a um homem conhecido como “Cai Duro”, ex-empregado de D. João – que garantiu a escritura numa época em que palavra valia mais que papel. Paraty ainda terminava antes da estrada, o Centro ficava longe e, ao redor, havia mais mata, silêncio e caminhos de terra do que vizinhos.
A casa nasceu nesse cenário: uma capoeira a ser desbravada, entre o verde abundante e o desejo de construir um lugar para a família. Não como pousada, a princípio, mas um refúgio familiar —uma casa ampla e acolhedora, feita para receber filhos, amigos e todos aqueles que acabavam ficando mais tempo do que planejavam.
Inspirada pela arquitetura colonial, Nelly, auxiliada pelo arquiteto mineiro Eloi de Melo, esboçou uma planta que dialogava com as antigas casas paratienses. Os cinco quartos foram pensados para uma família em movimento: os três filhos, Rafael, Verônica e Carlos, correndo pelo jardim, visitas chegando sem cerimônia, almoços demorados e noites cheias de conversa.
Eles também foram os primeiros moradores da região a ter um telefone fixo, o que transformava a casa em ponto de encontro. Dilson Affonso, empresário e contador de causos, acompanhava cada etapa da construção, ao passo que as árvores começavam a ser plantadas pelas mãos da própria Nelly — entre elas, acácias amarelas e cor-de-rosa, e quatro palmeiras das quais apenas três vingaram, formando naturalmente o símbolo da maçonaria, tão presente na arquitetura de Paraty.
Quando Dilson se aposentou, a chácara que nasceu como lar passou a acolher viajantes. Por insistência de Nelly, construíram dois chalés, no mesmo estilo colonial, e aos poucos foram aumentando. Talvez por isso quem chega sente a atmosfera de um lugar verdadeiramente vivido, marcado pelas histórias de uma família ao longo das décadas.
Entre os acontecimentos marcantes estão as bodas de 50 anos de casamento dos pais de Nelly, uma celebração grandiosa que mobilizou a sociedade de Paraty, e a emocionante festa dos 100 anos de seu pai, Manuel Martins de Souza, o querido Mané Rita, celebrada com quatro gerações reunidas, antes de partir aos 102 anos. O casamento da filha Verônica também foi realizado entre o casarão e a piscina, e depois as bodas da neta, dando continuidade à memória afetiva naquele mesmo cenário.
Com o passar do tempo, a distância entre a chácara e o centro encurtou: chegou o asfalto e hoje o trajeto leva poucos minutos. Ainda assim, algo permanece intacto: além das acomodações confortáveis, o jardim e a piscina contemporânea, a pousada guarda uma história tecida ao longo de décadas e o desejo permanente de bem receber. Administrada por Verônica Affonso, a Chácara das Acácias segue expressando em cada detalhe a presença da matriarca, Nelly, especialmente naquilo que, para ela, não pode faltar em uma verdadeira casa paratiense: “boa comida e aconchego”.